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  Carta ao cliente
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Por meio da Carta ao Cliente, o BRP relata, mensalmente, os fatos mais relevantes ocorridos no Brasil e no mundo no âmbito econômico e político.
 
Ribeirão Preto, 1º de setembro de 2010.

Prezado cliente,

Os indicadores econômicos dos Estados Unidos divulgados em agosto deixaram bastante claro que a recuperação da maior economia do mundo tem encontrado dificuldade de expansão. Mesmo com a taxa de juros próxima de zero e com a autoridade monetária injetando liquidez no sistema, a atividade econômica reagiu de maneira mais tímida que o esperado.

Isto ocorreu tanto no consumo, quanto no investimento e na economia do trabalho, mas não nos dados corporativos. As empresas mostraram que se ajustaram, estão lucrativas e preparadas para um novo ciclo. Vale destacar que o sistema financeiro americano encontra-se saneado e lucrativo, mas ainda com receio de expandir crédito devido à insegurança quanto às perspectivas econômicas futuras. As autoridades com o objetivo de estimular as expectativas positivas, declararam que agirão, se julgarem necessário, e, como sabemos, o poder de fogo hoje é mais limitado, conseqüência do endividamento público, mas está longe de ser nulo.

Com este cenário nos EUA, mesmo com a Europa, particularmente a Alemanha, tendo apresentado dados econômicos melhores do que o esperado, a reação dos investidores, de uma maneira geral, ao redor do mundo, foi de ceticismo. Isto teve reflexos diretos nos preços dos ativos financeiros em praticamente todo o globo.

Mesmo com a China apresentando dados positivos e em linha com as expectativas, as bolsas caíram ao longo do mundo. Ficou, mais uma vez claro, a importância da economia americana para a recuperação da economia global de maneira sustentável.

O raquitismo da economia americana teve influência direta na chamada “acomodação” da economia brasileira. Sem a menor dúvida a perda do ímpeto da atividade econômica no Brasil deveu-se aos fatores externos. No curto prazo aliviou as maiores tensões inflacionárias, permitindo ao Banco Central ser mais parcimonioso com a política monetária. Menos juros sempre é bom para a economia.

Há hoje no Brasil condições concretas de anteciparmos uma melhor gestão nas despesas do governo, criando espaço para uma excelente perspectiva de crescimento de médio prazo. Em outras palavras, é possível que o mix das políticas de combate à inflação tenha uma melhor distribuição - ao longo do tempo, e não instantaneamente – diminuindo o peso sobre a monetária, na medida em que vai sendo resgatada a responsabilidade no gasto público. Inclui-se aqui, obviamente, o chamado gasto para-fiscal, como as enormes injeções de recursos nos bancos públicos.

Nossa premissa é de que o cenário externo se recupere, mesmo que vagarosamente, nos próximos meses ajudado pela sazonalidade, o que potencializará, ainda mais, o promissor último quadrimestre da economia brasileira em 2010.

Nelson Rocha Augusto  

Nelson Rocha Augusto

 
 
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